Singular/Plural: entrevista com Iatã Canabrava
Post em discussão: (0 comentários)Post enviado por Ananda Carvalho em 01/09/09 - 17h06m
A série Gangues Paulistas de Iatã Canabrava está na exposição Singular/Plural: fotografia documental em cartaz no MIS de 08 de setembro a 4 de outubro. Dentro do Projeto Acervo Vivo, a curadoria proposta por Rubens Fernandes Junior escolheu obras dos portfólios selecionados entre 1993 e 1994 para o Prêmio Estímulo de Fotografia, que faz parte do acervo do MIS.
MIS / Ananda Carvalho - Você poderia descrever o processo de realização da série Gangues Paulistas?
Iatã Canabrava - Sempre estive muito interessado no ser humano e em sua fantástica habilidade de agrupar-se das maneiras mais diversas possíveis. Comecei a sair na noite e freqüentar diversos Clubes e casas noturnas. Nesses espaços, percebi que havia designações para cada grupo, e pronto, estava dado o mote para o ensaio. Dos carnavalescos aos clubers, passando por punks, skaitistas, rappers, metaleiros, enfim dei um passeio pelas manifestações que naquele momento se destacavam na juventude paulistana. Eram indivíduos que expressavam de forma contundente uma busca pela identidade.
MIS / Ananda Carvalho - As imagens que estão na exposição Singular/Plural caracterizam-se como fotografia documental. Como você descreveria a sua produção atual em relação a esta temática?
Iatã Canabrava - Continuo me considerando um fotógrafo documental, um documentarista, um ensaísta. Entretanto mudei alguns aspectos formais no meu trabalho. Hoje prefiro a cor e um envolvimento maior com o assunto. Inclusive, pretendo retomar a pesquisa que está nesta exposição num viés mais sutil. Há grupos que não se manifestam de forma tão caricata como os que retratei. Esses grupos me interessam também.
MIS / Ananda Carvalho - Atualmente, há uma grande discussão a respeito da representação fotográfica mediante ao desenvolvimento tecnológico. Como você se posiciona perante este debate? Ou seja, como considerar a fotografia como documento perante as possibilidades de criação digital?
Iatã Canabrava - A fotografia nasce tecnológica. Exceto o seu período pictorialista no qual se fez um esforço para negar o sentido da própria fotografia numa busca por imitar a pintura. Extraindo-se esse período, a fotografia sempre esteve envolvida e contaminada pelas experimentações e transformações: ontem do quarto escuro, hoje da alquimia seca do pixel. Penso que apenas abrimos mais o leque e democratizamos o acesso.
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