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Nova Fotografia 2020

O MIS inaugura as seis exposições selecionadas por convocatória pelo Nova Fotografia 2020, projeto que cria um espaço permanente para exposição de fotografias de artistas promissores que se distinguem pela qualidade e inovação de seu trabalho. Com entrada gratuita e visitação até 01 de agosto de 2021, as 93 fotografias que compõem as exposições trazem, em conjunto, um panorama diversificado da produção atual com temas que abordam desde a experiência particular de uma das artistas que passou um ano desconectada da internet até a diversidade paleontológica e suas representações simbólicas, que apontam para a transitoriedade de nossas vidas. As exposições contam com o acompanhamento curatorial e textos de André Penteado, Mônica Maia e Ronaldo Entler.

Em Offline, Ana Rovati propõe uma reflexão sobre as relações contemporâneas ditadas pela lógica da hiperconexão a partir de uma performance/experiência na qual a artista deixou de utilizar, durante um ano, uma das ferramentas símbolo de nosso tempo: a internet. A experiência aconteceu de 02.12.2015 a 02.12.2016 nas cidades de Madri e Rio de Janeiro. Os impactos desse processo foram registrados por meio de fotografias, textos e arquivos físicos, como diários, jornais, bilhetes, selos, cartas, mapas e agenda de telefone.

Origami, de Ana Clara Muner, retrata o universo singular da avó da artista, que tem um caso muito específico de Parkinson. Ao mesmo tempo que o remédio que ela toma protege-a dos efeitos da doença, altera sua realidade, causando alucinações, que ela denomina "origami''. Fotografia e colagem, acompanhadas dos textos que também compõem um fotolivro que pode ser visto na exposição, levantam indagações sobre memória e realidade a partir desse mundo recriado, no qual um simples guarda-roupa se transforma em um anfiteatro e um espelho abriga um padre em seu púlpito.

A fotógrafa Paula Pedrosa, em Nunca enganaremos, retrata paisagens e cenários da região sudeste relacionados à paleontologia, buscando reconhecer rastros e evidências que se conectam aos tempos geológicos pretéritos, como se manifestam no presente e como nos relacionamos com eles. Paralelamente, busca refletir sobre a relatividade do tempo e da vida ao contemplar a história natural e relacioná-la à sátira da condição existencial humana. Com base em pesquisa bibliográfica e consulta a pesquisadores, foram estabelecidas áreas de interesse para captação de imagens, passando por pontos de relevância paleontológica na região.

Em Castelos e ruínas, título emprestado do primeiro álbum de estúdio do rapper carioca BK’, Lucas Sirino apresenta fotografias produzidas ao longo de 2018 e 2019 retratando espaços diversos da paisagem urbana de São Paulo. O conjunto de fotografias aponta para os castelos e ruínas que permeiam nossas vidas diariamente e “não esconde as contradições de que a cidade é constituída: ela é erguida também por demolições, sua paisagem é feita de muitas invisibilidades, oferece espaços públicos para pessoas seletas, garante liberdades por meio do controle, admite todo tipo de caos e de violência em nome da ordem e da paz”, como aponta Ronaldo Entler, que realizou o acompanhamento curatorial da exposição.

Marcelo Schellini, em Tarikh al-Brasil – História do Brasil, em árabe –, apresenta uma pesquisa visual em torno da visibilidade/invisibilidade dos muçulmanos de origem africana na história e na sociedade brasileira, que remonta há mais de quatrocentos anos, quando chegaram por meio do tráfico negreiro e exerceram uma expressiva influência cultural e social. O ensaio fotográfico reflete também sobre a fotografia como linguagem que coloca a imagem no limite entre o documento e a invenção, além de trazer a experiência do próprio autor em seus quase dez anos como membro daquela que é a maior comunidade de africanos muçulmanos da atualidade no Brasil.

Em Sombra de vitória, Daniela Torrente convidou, por meio das redes sociais, mães a se deixarem fotografar com seus filhos e filhas em fotos nas quais elas aparecem cobertas. O título da exposição faz referência à Era Vitoriana na Inglaterra (1837-1901), período no qual as fotografias hidden mother (mãe oculta ou escondida) se consolidaram. Como nessa época a fotografia precisava de uma longa exposição, para fotografar bebês e crianças as mães eram incluídas nas fotos para segurá-las, mas eram “disfarçadas” com panos que as encobriam. As fotografias propõem reflexões sobre a invisibilidade da mãe, a mulher na sociedade patriarcal, a falta de identidade própria, a ausência do pai e, ainda, a negação de si mesma priorizando os filhos.

Sobre os fotógrafos

Ana Rovati (1985) foi criada em Farroupilha, RS, e hoje trabalha em São Paulo. Sua pesquisa artística é voltada para fotografia e performance, com interesse em capitalismo de vigilância e as transformações das relações contemporâneas diante da inserção massiva das novas tecnologias de informação e comunicação. Formada em Comunicação Social e com o curso de Ciências Sociais interrompido, sua trajetória teve o Rio de Janeiro como cidade fundamental para seu desenvolvimento artístico. Em 2018, lançou Offline, um fotolivro autopublicado que é parte de um projeto de mesmo nome, cuja ação central foi uma performance com duração de um ano, na qual viveu sem utilizar a internet. Atualmente é mestranda em Artes Visuais na Unicamp e desenvolve um novo projeto.

Ana Clara Muner (São Paulo, 1995) é fotógrafa e videomaker. Já expôs no Photolux Festival, em Lucca, Itália, participou da exposição coletiva Milano intorno, na Itália, e da residência artística em Copenhagen, Dinamarca, com o grupo TeaterKunst, onde desenvolveu projetos multimídia com refugiados. Atualmente é integrante do Coletivo Avuá e desenvolve junto ao grupo pesquisas de intersecção nas áreas cênicas e visuais.

Paula Pedrosa (São Paulo, 1978) é artista visual e naturalista e utiliza a fotografia como suporte criativo. Influenciada pela formação em biologia e ecologia, investiga os conceitos de natureza contemporânea, questionando os limites entre natural, artificial, realidade e ficção. Em seus projetos, busca incorporar, de maneira objetiva e subjetiva, noções de história, filosofia, ciência e arte. Desde 2015 tem participado de exposições nacionais e internacionais. Em 2019, lançou seu primeiro livro, Diorama, e, em 2020, foi palestrante do seminário Fotobokfestival Oslo, na Noruega, relacionando seu trabalho ao tema da emergência climática.

Lucas Sirino (São Paulo, 1999) nasceu em um bairro periférico da Zona Leste de São Paulo. Sua fotografia é fruto de tudo aquilo que viu e viveu, de tudo que sentiu na pele e de suas influências musicais, visuais e periféricas. Começou a fotografar em 2018 e, no mesmo ano, obteve suas primeiras publicações em veículos de mídia. É formado pelo Senac-SP como Técnico em Fotografia e atua como fotojornalista. Seu trabalho é focado na cultura jovem e nas subculturas urbanas.

Marcelo Schellini (Brasil, 1979) é fotógrafo e artista visual. Doutor em Poéticas Visuais pela Universidade de São Paulo e mestre em Estudos da Cultura Visual pela Universidade de Barcelona, dedica-se à pesquisa em fotografia, antropologia visual e literatura. Seu trabalho autoral se desenvolve em rumo da descoberta de uma cartografia subjetiva do mundo, deliberadamente em busca de atravessar fronteiras territoriais e de linguagem. Atualmente, ensina fotografia e design gráfico no Vellore Institute of Technology, Índia.

Daniela Torrente (São Paulo, 1976) é artista visual, pós-graduada em Imagem e Cultura Contemporânea pelo CEI Madalena e graduada em Artes Visuais pela Faculdade Santa Marcelina. Participa do grupo de acompanhamento de projetos Hermes Artes Visuais, orientado pelos artistas Carla Chaim, Nino Cais e Marcelo Amorim. Sua pesquisa parte da memória, do apagamento e da força do feminino entrelaçados e enredados no cotidiano. Recebeu o 1º Prêmio no 2º Salão de Artes Visuais de Indaiatuba (2016). Participou das exposições The Exploration of the Female Existence (MIA Anywhere Virtual Museum, 2020), Lumen Exhibition (Espacio Gallery, Londres,2017), Pós-imagem vol.1 – Imagem e política (CEI Madalena, 2017), entre outras.

Sobre os curadores

André Penteado (1970) é artista visual. Sua obra investiga temas como fatos da história brasileira e momentos de grande intensidade emocional, como a perda de seu pai por suicídio. Publicou cinco livros: O suicídio de meu pai (2014), Cabanagem (2015), Não estou sozinho (2016), Missão Francesa (2017) e Farroupilha (2020). Venceu o Prêmio Nacional de Fotografia Pierre Verger (2013), foi selecionado para o programa Rumos Itaú Cultural (2013-2014) e venceu o Prêmio Chico Albuquerque de Fotografia (2019). Suas obras fazem parte das coleções da Pinacoteca de São Paulo, do Museu de Arte do Rio, do Museu Nacional de Belas Artes (Rio de Janeiro) e do Espaço Cultural Casa das Onze Janelas (Belém).

Mônica Maia é editora, curadora e produtora. É sócia da DOC Galeria e produtora da Mostra SP de Fotografia. Foi fotógrafa e editora da Agência Estado (1987-2007) e da Folha de S.Paulo. Em 1999, foi a primeira brasileira a ser jurada do World Press Photo e, desde então, é membro do Joop Swart Masterclass. Foi curadora do 3º Encontro de Coletivos Fotográficos Ibero-Americanos (Santos, SP, 2014) e dos projetos Por dentro de um tempo suspenso e Testemunhos para o não esquecimento, ambos apresentados no Festival de Fotografia de Tiradentes (Minas Gerais, 2019-2020). Em 2015, lançou a Foto Feira Cavalete. É Idealizadora da plataforma Mulheres Luz, projeto de pesquisa e publicação de conteúdos produzidos por fotógrafas.

Ronaldo Entler é pesquisador e crítico de fotografia, mestre em Multimeios (IA-Unicamp), doutor em Artes (ECA-USP) e pós-doutor em Cinema (IA-Unicamp). É professor dos cursos de Comunicação e de Artes da FAAP. Desenvolve pesquisas no campo da estética e das teorias da imagem, orienta e acompanha projetos de artistas visuais. Foi editor do site Icônica, é autor do livro de contos Diante da sombra (Confraria do Vento, 2018) e colunista do site da Revista Zum (IMS).

Sobre o Nova Fotografia

Criado em 2011, o Nova Fotografia é um projeto anual do Museu da Imagem e do Som que busca criar um espaço permanente para exposição de fotografias de artistas promissores que se distinguem pela qualidade e inovação do seu trabalho. A cada ano, seis séries de imagens são escolhidas por meio de convocatória e expostas no Museu. A edição de 2020 conta com o acompanhamento curatorial do artista e autor de diversos livros André Penteado, Mônica Maia, fotógrafa e sócia diretora da DOC Galeria, e do pesquisador, professor e crítico de fotografia Ronaldo Entler.

O MIS agradece aos patrocinadores e apoiadores da programação, que também apoiam a iniciativa digital #MISemCASA: Youse (patrocínio máster), Kapitalo Investimentos (patrocínio), Cielo (patrocínio), TozziniFreire Advogados (apoio institucional), Bain & Company (apoio institucional) e Telhanorte (apoio operacional).

  • Convocatória Nova Fotografia 2021add

    Estão abertas as inscrições (até 13.06.2021) para a seleção de exposições para a edição de 2021 do Nova Fotografia. 

    Conheça todos os detalhes.

     

Galeria de Fotos

Assista #misemcasa