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A partir de setembro, o Ciclo de Cinema e Psicanálise do MIS, inicia uma novo módulo: "Mal-estar na civilização e violência". Para a estreia da temporada, o Museu exibe, no dia 10.09, o filme Clímax, seguido por bate-papo.

O programa é uma parceria com a Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo - SBPSP e apoio da Folha de S.Paulo. A sessão, que tem entrada gratuita e acontece às 19h no Auditório MIS (172 lugares), será seguida de debate com o psicanalista convidado Alan Victor Meyer e o jornalista Ivan Finotti. A diretora de Cultura e Comunidade da SBPSP, Luciana Saddi, mediará a conversa.

Clímax (Climax, dir. Gaspar Noé, França, 2019, 93 min.,drama/suspense, 18 anos, digital)

Nos anos 90, um grupo de dançarinos urbanos se reúne em um isolado internato, localizado no coração de uma floresta, para um importante ensaio. Ao fazerem uma última festa de comemoração, eles notam a atmosfera mudando e percebem que foram drogados quando uma estranha loucura toma conta deles. Sem saber o por quê ou por quem, os jovens mergulham num turbilhão de paranoia e psicose. Enquanto para uns, parece o paraíso, para outros parece uma descida ao inferno.

Para a mediadora do projeto, Luciana Saddi, a violência no filme Clímax parece ser uma experiência incomum, rara mesmo, pois se trata da mais pura expressão dos impulsos instintuais sem intermediação psíquica ou atenuação pela interferência de outro. Consciência e razão são dilacerados diante do excesso pulsional em que os personagens são lançados. A intensidade de tal manifestação eclode em direção à psicose, arrebenta com a unidade corporal, implode o Eu. O filme trata dos limites do controle sobre si e da loucura que se instala quando perdemos tais mecanismos. E, como se tal perturbação não fosse suficiente, Climax escava camadas e mais camadas psíquicas para expor o primitivo, reverenciar rituais ancestrais de sacrifício humano, apresentar imoralidade sexual, escatologia em direção ao canibalismo. Tal estado de devoração e fúria nos remete ao que vai mais além, à destruição total como objetivo cego e perene. Freud, em O mal-estar na civilização (1929), ao postular um mal absoluto representado por tânatos, se referia a dissolução de qualquer possibilidade de vida – o retorno ao estado anterior de coisas, antes da vida - em oposição à eros tendência que une, multiplica, constrói elos, portanto, se associa. Em pequenas doses, em sonhos, em vivencias traumáticas, em estados de dor e frustração vivemos diariamente estados semelhantes aos invocados por essa obra cinematográfica. Em grandes doses não apenas enlouquecemos individualmente, mas perdemos os laços familiares e sociais que impedem que mergulhemos no caos e na guerra.

Sobre os convidados

Alan Victor Meyer é formado em filosofia na USP, psicólogo clínico pela PUC, psicanalista membro da SBPSP e do grupo corpo freudiano.

Ivan Finotti é repórter especial da Folha de S.Paulo. No jornal, foi editor dos cadernos Ilustrada e Folhateen — pelo qual recebeu o prêmio Esso de criação gráfica — e das revistas sãopaulo e Serafina. Escreve sobre cultura há 28 anos.

Sobre o Ciclo de Cinema e Psicanálise

A cada edição o ciclo traz um filme em longa-metragem (ficcional ou documental) seguido de debate com um jornalista e um psicanalista convidado. Em seguida, o público pode participar com perguntas, integrando novas perspectivas sobre a obra discutida. A temporada 2019 está dividida em cinco temas, exibindo dois filmes de cada, sendo eles: Sexualidade, Violência, Poder, Religião e Infância.

O ciclo pretende discutir, à luz da Psicanálise, algumas questões suscitadas por obras do cinema moderno e contemporâneo, e proporcionar também formas transdisciplinares de compreensão. O tema, que norteia os debates e a seleção dos filmes, surgiu a partir do ensaio O mal-estar na civilização (1929), escrito por Freud. Neste, o psicanalista afirmava que o progresso civilizatório e tecnológico cobrava elevado preço do indivíduo. Exigia renunciar à agressividade e à sexualidade – como esforço necessário ao desenvolvimento civilizador. Por consequência, o homem se tornava refém do sentimento de culpa inconsciente e de constante mal-estar, ambos impeditivos da fruição da felicidade.

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Assista #misemcasa