MIS

Museu da Imagem e do Som

O MIS inaugura a quinta exposição do Nova Fotografia 2026 com a série Círio de Nazaré. Do sagrado ao profano: uma extensão do Brasil, do fotógrafo Fabricio Augusto. O ensaio propõe uma imersão fotográfica documental na vivência coletiva do maior festejo religioso do país, onde a fé, a tradição e a cultura popular se entrelaçam. O projeto investiga o rito como expressão simbólica e espaço de construção identitária — a devoção à Nossa Senhora de Nazaré, que remonta ao século 18 em Belém, transformando-se em palco de memória, pertencimento e metamorfose social.  

Sem se limitar ao registro da fé, o ensaio amplia o foco para as engrenagens humanas que sustentam o Círio: a manutenção da festa em coletividade, os gestos de cuidado que circulam pela multidão — como a água que refresca, hidrata e mantém vivos os corpos em trânsito — e o papel central dos pagadores de promessa, que performam a devoção com intensidade física e emocional. Entre o sagrado e o profano, entre a corda que arrasta multidões e as vielas onde a promessa encontra seu território, o trabalho revela como a força do rito reside também na solidariedade, na organização espontânea e nas práticas comunitárias que fazem o Círio acontecer todos os anos.  

Nessa intersecção entre fé, corpo e resistência, a série convida o espectador a refletir sobre a cultura popular como extensão viva do Brasil — uma manifestação multifacetada que, ao mesmo tempo em que celebra a devoção, expõe o país em toda a sua complexidade, sensibilidade e potência coletiva. 

Sobre o fotógrafo  

Fabricio Augusto é fotógrafo, produtor multimídia e documentarista, nascido e residente em Ferraz de Vasconcelos, na periferia da Grande São Paulo. Sua prática pensa cinema e fotografia como extensões de um mesmo olhar, investigando o corpo, o pertencimento e a cultura popular brasileira. É estudante de produção multimídia e antropologia, com extensão universitária em memória e território pela USP. Em 2024, completou dez anos de carreira com a exposição Trajetos e trajetórias: uma década de fotografia. Seus trabalhos já circularam pelo Brasil, passando pelo Museu das Favelas, o MIS Araraquara, o Centro Cultural Octo Marques e o Museu de Arte do Espírito Santo, e internacionalmente, em Toronto, no Canadá. Em 2026, foi finalista do Prêmio Transatlântico de Fotografia, consolidando uma trajetória dedicada à investigação da imagem, dos corpos e dos territórios que compõem a identidade brasileira. 

Sobre o Nova Fotografia 

O projeto anual do MIS seleciona, por meio de convocatória aberta ao público, novos fotógrafos para uma exposição individual no museu. A seleção fica a cargo do Núcleo de Programação, com supervisão e coordenação da curadoria geral do MIS. São selecionadas séries fotográficas inéditas, de profissionais que se destacam por sua originalidade técnica e estética. Após o período em exposição, as séries escolhidas passam a integrar o acervo do MIS. 

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