Mostra de Cinema do Equador
03.10
E
10.10
Data
03 e 10.10
Horário
Horários diversos
Ingresso
Gratuito. Retirada com uma hora de antecedência de cada sessão na bilheteria física do MIS
Local
Auditório LABMIS (64 lugares)
Classificação
De acordo com cada filme
O MIS apresenta, em parceria com o Consulado Geral do Equador em São Paulo, aMostra de Cinema do Equador, uma oportunidade para o público brasileiro conhecer a diversidade de perspectivas e narrativas da produção cinematográfica contemporânea do país. A programação reúne cinco longas-metragens e um curta, atravessando gêneros como documentário, comédia, romance, fantasia e terror, com histórias que abordam temas como identidade cultural, amizade, superação, ancestralidade e os imaginários que atravessam a sociedade andina.
A seleção apresentada pelo museu percorre diferentes universos da produção equatoriana. Em Dedicada a minha ex, a cultura digital e o humor contemporâneo encontram a tradição da comédia juvenil; já em Do outro lado da névoa, o encontro entre o montanhista Iván Vallejo e o cineasta Sebastián Cordero transforma uma expedição ao Himalaia em uma reflexão sobre memória, trajetória e sentido de vida. Misfit #VocêÉOuVocêSeTorna aborda deslocamento, identidade e pertencimento a partir da experiência de uma adolescente que retorna dos Estados Unidos ao Equador, enquanto Neisi: a força de um sonho acompanha a trajetória da campeã olímpica Neisi Dajomes, aproximando esporte, família, comunidade e identidade. A programação se encerra com Willkawiwa: o sagrado fogo dos mortos e Chuzalongo, duas obras que partem do imaginário andino e da tradição oral para explorar a relação entre memória, espiritualidade, morte e o sobrenatural.
O encerramento da mostra ainda contará com uma sessão dupla seguida de bate-papo com Carlos Primati, convidado pelo Consulado Geral do Equador. A conversa propõe uma reflexão sobre o cinema fantástico, as narrativas de horror e a presença do imaginário andino na produção audiovisual contemporânea e as possibilidades do horror produzido fora dos grandes centros da indústria cinematográfica.
Como parte da experiência, o público também poderá conhecer um pouco mais da cultura e das tradições do Equador por meio de ações especiais realizadas no museu. Haverá a exposição e venda de joias de luxo equatorianas, além da distribuição de iguarias típicas do país, como pipoca e chifles, salgadinhos feitos de banana-da-terra frita. Além disso, o público também poderá participar do sorteio de chocolates e kits oferecidos pelo Consulado.
PROGRAMAÇÃO COMPLETA:
03.10, sábado
16h | Dedicada a minha ex
(Dedicada a mi ex, dir. Jorge Ulloa, 2019, Equador/Colômbia, 94 min, 12 anos)
Ariel, um jovem de 21 anos, vê sua vida mudar quando sua namorada decide viajar para a Finlândia para participar de um estágio. Determinado a reconquistar o relacionamento, ele precisa arranjar uma maneira de pagar a viagem para reencontrá-la. A oportunidade surge quando ele descobre uma batalha de bandas cujo prêmio é de 10 mil dólares e decide montar uma banda de rock improvisada. Entre ensaios caóticos, conflitos e situações absurdas, o grupo terá de escolher entre o prêmio e a amizade, enquanto Ariel descobre que o amor pode surgir justamente quando menos se espera. O filme se tornou um dos maiores sucessos comerciais do cinema equatoriano, ultrapassando 300 mil espectadores no país, e contou com participações de nomes conhecidos do entretenimento latino-americano, como Eugenio Derbez, Mariana Treviño e Carlos Alcántara.
18h | Do outro lado da névoa
(Al otro lado de la niebla, dir. Sebastián Cordero, Equador, 2023, 90 min, documentário)
O alpinista Iván Vallejo, primeiro equatoriano a conquistar o Everest, convida o cineasta Sebastián Cordero para registrar uma viagem ao Nepal que pretende revisitar sua trajetória nas montanhas. O que começa como um projeto sobre uma grande conquista esportiva transforma-se gradualmente em uma investigação sobre duas maneiras distintas de compreender a vida, o cinema e a própria ideia de superação. À medida que avançam pelas montanhas do Himalaia, os dois compartilham histórias, lembranças e reflexões sobre suas trajetórias, enquanto a altitude e o isolamento tornam o diálogo cada vez mais íntimo. O documentário foi a escolha oficial do Equador para a categoria de Melhor Filme Internacional no processo do Oscar de 2025.
10.10, sábado
14h | Misfit #VocêÉOuVocêSeTorna
(Misfit, dir. Orlando Herrera, 2021, Equador, 90 min, 12 anos)
Julia é uma adolescente latina que passou a maior parte da vida nos Estados Unidos. Popular, bem-sucedida nas redes sociais e com o sonho de se tornar a rainha do baile, ela vê sua vida mudar completamente quando sua família retorna ao Equador. De volta ao país, Julia precisa se adaptar a uma nova cultura e a um rígido colégio católico, onde rapidamente passa de garota popular a estrangeira deslocada, precisando enfrentar as três garotas mais populares da escola, conhecidas como “La Reinas”. Dirigido por Orlando Herrera, o longa combina comédia adolescente, romance, música e conflitos de identidade para abordar diferenças culturais, bullying, amizades e a pressão para se encaixar.
16h | Neisi: a força de um sonho
(Neisi: La Fuerza de un sueño, dir. Daniel Yépez Brito, 2023, Equador, 90 min, documentário)
Filha de refugiados colombianos que chegaram ao Equador fugindo da violência causada pelo narcotráfico e pela guerrilha, Neisi Dajones encontrou no levantamento de peso uma maneira de transformar as dificuldades de sua vida em força e esperança. Acompanhando sua trajetória esportiva e pessoal, o documentário retrata os anos de dedicação de Neisi e de seus irmãos em uma simples academia de levantamento de peso, onde o esporte se torna não apenas uma prática, mas um caminho para construir um futuro diferente. Ao longo dessa jornada, a atleta enfrenta perdas profundas, incluindo a morte de seu irmão e de sua mãe, sem abandonar o sonho de chegar aos Jogos Olímpicos.
18h | Sessão dupla + bate-papo
Willkawiwa: o sagrado fogo dos mortos
(Willkawiwa: el sagrado fuego de los muertos, dir. Pável Quevedo Ullauri, 2022, Equador, 15 min, 12 anos)
Jaime morre inesperadamente enquanto trabalha em uma comunidade. De seu corpo, abandonado sobre a terra, surge seu espírito animal, que passa a vagar pelas montanhas em busca do espírito de sua esposa. Quando finalmente se encontram, os dois iniciam uma jornada espiritual rumo à terra dos mortos. Inspirado no imaginário e nas tradições andinas do povo Kichwa, Willkawiwa constrói uma narrativa fantástica sobre a passagem entre a vida e a morte e a continuidade dos vínculos para além da vida, aproximando o mundo dos vivos do universo espiritual.
Chuzalongo
(Chuzalongo, dir. Diego Ortuño, 2025, Equador/Peru/Espanha/Canadá, 96 min, 12 anos)
No final do século 19, um menino perdido aparece em um remoto povoado dos Andes. Nicanor, o sacerdote da comunidade, decide acolhê-lo e logo descobre que o sangue da criança possui propriedades incríveis: algumas gotas fazem com que as plantações cresçam e produzam fruto de maneira extraordinária. No entanto, o milagre tem um preço: para manter o menino vivo, é preciso alimentá-lo com sangue humano. Diante da ameaça de fome que ronda a comunidade, Nicanor precisa decidir entre proteger o garoto e garantir a sobrevivência de seu povo. Inspirado no imaginário andino e em uma das figuras míticas do folclore equatoriano, Chuzalongo combina terror e fantasia para abordar a relação entre crença, sobrevivência e exploração. O filme foi escolhido para representar o Equador na disputa pelo Oscar de Melhor Filme Internacional de 2026.
Bate-papo com Carlos Primati
No encontro após a sessão, Primati conversa sobre as relações entre cinema de horror, mitologia, tradição oral e imaginário latino-americano, tomando Chuzalongo como ponto de partida para discutir as possibilidades do horror produzido fora dos grandes centros da indústria cinematográfica. Sua pesquisa sobre o fantástico e sua experiência com a história do horror brasileiro permitem ainda aproximar a produção equatoriana de uma tradição latino-americana de apropriação de lendas, crenças populares e elementos culturais locais pelo cinema de gênero.
Sobre o convidado
Carlos Primati é crítico, curador e pesquisador especializado em cinema fantástico. Dedica-se especialmente à história do horror no cinema brasileiro e à obra de José Mojica Marins, o Zé do Caixão. É membro da Abraccine, colaborou em livros, catálogos e publicações sobre cinema fantástico e participou da organização de retrospectivas e mostras dedicadas ao gênero. Em 2026 ministrou no MIS um curso sobre folk horror, abordando a produção mundial no gênero, com destaque para filmes da América do Sul e da África.




