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Sirāt

Ciclo de Cinema e Psicanálise

Data

10.11

Horário

19h

Ingresso

Gratuito (retirada com uma hora de antecedência na bilheteria física do MIS) 

Local

Auditório MIS (168 lugares)

Classificação

16 anos

O Ciclo de Cinema e Psicanálise, programa mensal do MIS, é realizado em parceria com a Folha de S.Paulo e a Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo (SBPSP). A cada edição, é exibido um filme seguido de um bate-papo, com mediação de Luciana Saddi, coordenadora do Programa de Cinema e Psicanálise da Diretoria de Cultura da SBPSP. O debate é gravado e disponibilizado, posteriormente, no canal oficial do MIS no YouTube.   

A edição de novembro apresenta, em parceria com a Retrato Filmes, o filme Sirāt, vencedor do Prêmio do Júri no Festival de Cannes de 2025. Dirigido por Oliver Laxe e produzido por Pedro Almodóvar, o longa também recebeu duas indicações ao Oscar (Melhor Filme Internacional e Melhor Som), além de duas duas indicações ao Globo de Ouro (Melhor Filme em Língua Não Inglesa e Melhor Trilha Sonora). A produção ainda conquistou onze indicações ao Prêmio Goya, considerado a principal premiação do cinema espanhol. 

A trama acompanha a angustiante viagem de um pai, ao lado do filho caçula, pelo deserto do Marrocos em busca da filha desaparecida durante uma rave realizada nas montanhas.  

Após a sessão, será realizado um bate-papo com a presença do psicanalista Pedro Colli e do editor da Folha de S.Paulo Daigo Oliva. 

Sobre o filme 

Sirāt 

(dir. Oliver Laxe, 2025, Espanha e França, 114 min, 16 anos) 

Pai e filho chegam a uma rave nas montanhas do sul do Marrocos. Ambos estão em busca de Mar — filha e irmã —, que desapareceu meses antes em uma dessas festas intermináveis. Cercados por música eletrônica e por uma sensação crua e desconhecida de liberdade, eles distribuem a foto da jovem repetidas vezes. A esperança vai se apagando, mas os dois persistem e seguem um grupo de frequentadores rumo a uma última festa no deserto. À medida que avançam por um cenário escaldante, a jornada os obriga a confrontar os próprios limites. 

Sobre os convidados  

Pedro Colli é membro efetivo e docente da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo (SBPSP), onde coordena a Comissão de Comunicação. Representante da FEBRAPSI no Movimento Articulação e membro do Comitê de Pesquisa sobre Psicanálise e Tecnologia da Internacional Psychoanalytical Association (IPA). Autor dos livros Uma flor nasceu na rua! A psicanálise que continua a brotar por aí e O mal-estar na civilização digital, publicados pela editora Blucher. 

Daigo Oliva é editor da homepage da Folha de S.Paulo, onde trabalha desde 2011. Já foi editor de Mundo e passou pelas editorias de Ilustrada e Fotografia. Foi bolsista do programa Knight-Wallace, da Universidade de Michigan. Escreve sobre política internacional, cultura e tênis de mesa. 

“Sirāt” por Luciana Saddi

Em Sirāt, de Oliver Laxe, um pai e seu filho chegam a uma rave nas montanhas do sul do Marrocos à procura de Mar, filha e irmã, desaparecida há meses. A busca os leva a acompanhar um grupo pelo deserto rumo a outra festa. As batidas lisérgicas da música eletrônica e a busca de evasão encontram eco na aridez da paisagem, que acentua a atmosfera de apocalipse. 

Nesse percurso, o pai deixa de ser aquele que sabe, protege e indica o caminho. Por vezes, obedece ao filho. Sua desorientação permite interrogar o declínio da função simbólica paterna: o que acontece quando as referências que sustentavam uma autoridade e organizavam a experiência deixam se dissolvem? 

Radicalmente camusiano, Sirāt transforma a procura pela filha numa busca de sentido para viver. Do confronto entre essa exigência humana e o silêncio do mundo nasce o absurdo em Camus. Em O mal-estar na civilização, Freud também questiona a exigência de uma finalidade para a vida e associa à religião a promessa de uma resposta. Ao examinar o sentimento oceânico descrito por Romain Rolland, situa no desamparo infantil e no anseio pela proteção paterna as raízes da necessidade religiosa. 

Freud volta-se para o que os homens procuram: alcançar a felicidade e evitar o sofrimento. Em Sirāt, a música, a dança e a viagem podem ser lidas como tentativas de tornar a existência suportável, talvez pela dissolução dos limites entre si e o mundo. Mas nem a religião, nem o êxtase, nem as drogas asseguram proteção diante do acaso e da morte. Sem uma finalidade que justifique as perdas, sem uma autoridade que conheça o caminho e sem a promessa de proteção, o que sustenta o viver?