O último azul
Ciclo de Cinema e Psicanálise
07.04
TER
19H
Data
07.04
Horário
19h
Ingresso
Gratuito (retirada com uma hora de antecedência na bilheteria física do MIS)
Local
Auditório MIS (168 lugares)
Classificação
14 anos
O Ciclo de Cinema e Psicanálise, programa mensal do MIS, é realizado em parceria com a Folha de São Paulo e a Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo (SBPSP) e apresenta sempre um filme seguido de bate-papo, com mediação de Luciana Saddi, coordenadora do Programa de Cinema e Psicanálise da Diretoria de Cultura da SBPSP. O debate é gravado e disponibilizado, posteriormente, no canal oficial do MIS no YouTube.
A edição de abril exibe o longa brasileiro “O último azul”, em parceria com a Vitrine Filmes. Após a sessão, será realizado um bate-papo com a presença do psicanalista Marcio Roque e da atriz Denise Weinberg, protagonista do longa.
Sobre o filme
O último azul
(dir. Gabriel Mascaro, 2025, 85 min, Brasil, 14 anos)
Tereza (Denise Weinberg) tem 77 anos, mora numa cidade industrializada na Amazônia e é convocada oficialmente pelo governo a se mudar para uma colônia habitacional compulsória. Lá, os idosos “desfrutam” de seus últimos anos de vida, enquanto a juventude produtiva do país trabalha sem se preocupar com os mais velhos. Antes do exílio forçado, ela embarca em uma jornada pelos rios e afluentes da região para realizar um último desejo, algo que pode mudar seu rumo para sempre.
Sobre os convidados
Denise Weinberg é atriz e diretora, reconhecida por sua trajetória marcante no teatro, no cinema e na televisão. Iniciou sua carreira nos palcos e ganhou notoriedade por seu trabalho no cinema em longas como “Greta” (2019) e “O último azul” (2025). Recebeu diversos prêmios em sua carreira, incluindo um Grande Otelo e dois Prêmios APCA, além de uma indicação ao Prêmio Emmy Internacional de Melhor Atriz.
Márcio Roque é psicanalista, membro filiado ao Instituto Durval Marcondes da SBPSP e coordenador no Núcleo de Psicanálise do Serviço de Psicoterapia IPq/HCFMUSP.
“O último azul” por Luciana Saddi
“’O último azul’ apresenta um Brasil distópico em que os idosos são alvo de uma política de exílio forçado. Numa cidade amazonense, Tereza, de 77 anos, está prestes a receber a ordem de deixar sua casa para ser enviada às colônias destinadas aos idosos. Antes disso, ela decide realizar um último desejo e embarca em uma viagem pelos rios e afluentes da região amazônica.
O diretor Gabriel Mascaro constrói uma narrativa de caráter sonhador, em que a trajetória de Tereza se dá pela via da abertura, do encontro e dos imprevistos — o espírito de aventura se faz presente. Sua fuga não é apenas recusa do destino imposto, mas afirmação de algo que insiste e pulsa: o desejo e a liberdade de imaginar outros caminhos possíveis.
Ao colocar a personagem idosa no centro da narrativa, o filme contesta a ideia de velhice como tempo de encerramento. Ao contrário, apresenta-a como um tempo vivo, atravessado por curiosidade, invenção e desejo. É nesse ponto que o filme toca em algo essencial: mesmo em um mundo organizado pela exclusão e pela concretude da sobrevivência, o sonhar abre brechas. É a partir dessas brechas que, pouco a pouco, algo se transforma — como se, no interior da distopia, começasse a se esboçar um outro mundo possível, que pulsa sem cessar, forjado pela força dos rios da região e moldado pela amizade.
Em “Análise terminável e interminável”, Freud já apontava que o desejo não envelhece. Até as últimas horas de vida, a pulsão exige trabalho psíquico: contenção, simbolização e sublimação. Nesse sentido, a tarefa incessante de transformar pulsão e experiência permanece. Como disse William Shakespeare: “Somos feitos da mesma matéria de que são feitos os sonhos.”




