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A graça

Ciclo de Cinema e Psicanálise

Data

16.06

Horário

19h

Ingresso

Gratuito (retirada com uma hora de antecedência na bilheteria física do MIS) 

Local

Auditório MIS (168 lugares)

Classificação

14 anos

O Ciclo de Cinema e Psicanálise, programa mensal do MIS, é realizado em parceria com a Folha de São Paulo e a Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo (SBPSP) e apresenta sempre um filme seguido de bate-papo, com mediação de Luciana Saddi, coordenadora do Programa de Cinema e Psicanálise da Diretoria de Cultura da SBPSP. O debate é gravado e disponibilizado, posteriormente, no canal oficial do MIS no YouTube.  

A edição de junho exibe o filme de abertura do Festival de Veneza 2025, “A graça”, em parceria com a Pandora Filmes. O novo longa-metragem de Paolo Sorrentino, diretor italiano, propõe uma reflexão íntima sobre identidade e memória, traçando a marca indelével que se deixa através da família e das ações. A produção rendeu a Toni Servillo a Copa Volpi de Melhor Ator na 82ª edição da Biennale. 

Após a sessão, será realizado um bate-papo com a presença de Christian Dunker e Oswaldo Ferreira Leite Netto. 

Sobre o filme 

“A graça” 

(La Graza, dir. Paolo Sorrentino, 2025, 110 min, Itália, 14 anos) 

Em meio às contradições da sociedade italiana contemporânea, um homem enfrenta crises pessoais e espirituais enquanto tenta compreender o sentido de sua própria existência. Do cineasta Paolo Sorrentino, vencedor do Oscar e do BAFTA, “A graça” é uma exploração abrangente do amor, do dever e da liberdade pessoal. Toni Servillo – vencedor do prêmio de Melhor Ator no Festival de Cinema de Veneza de 2025 – é o poderoso Mariano De Santis, que enfrenta dilemas morais e pessoais com a ajuda de sua filha confidente, Dorotea (Anna Ferzetti). Com a visão poética característica de Sorrentino e uma trilha sonora evocativa, esta obra-prima é uma meditação íntima sobre paternidade, consciência e a eterna questão: a quem pertence o nosso tempo? 

Sobre os convidados 

Christian Dunker é psicanalista, professor titular do Instituto de Psicologia da USP e coordenador do Laboratório de Teoria Social, Filosofia e Psicanálise (LATESFIP). Com pós-doutorado pela Manchester Metropolitan University, é autor de livros como “Mal-estar, sofrimento e sintoma”, “Reinvenção da intimidade”, “O palhaço e o psicanalista” e “Paixão da ignorância”. Foi vencedor de dois prêmios Jabuti na área de Psicologia e Psicanálise. 

Oswaldo Ferreira Leite Netto é médico psiquiatra, psicanalista, membro efetivo da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo (SBPSP), docente do Instituto Durval Marcondes da SBPSP e diretor do Serviço de Psicoterapia do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.

“A graça” por Luciana Saddi 

“O novo filme de Paolo Sorrentino acompanha os últimos meses do mandato de Mariano De Santis, presidente italiano viúvo, jurista, austero, católico e nostálgico. Distante do frisson mundano, De Santis atravessa crises íntimas e impasses públicos ao se confrontar com decisões sobre eutanásia e indultos a condenados por homicídio, enquanto é assombrado pela suspeita da infidelidade da falecida esposa. 

Interpretado magistralmente por Toni Servillo, o personagem encarna uma figura marcada pela contenção e pelo rigor moral. Dominado por um superego severo, De Santis é movido por disciplina e renúncia. A relação com a filha introduz um contraponto importante: é ela quem lhe traz notícias do mundo, afeto, alguma leveza e jovialidade, em contraste com o ambiente pesado e cerimonial em que vive enclausurado. 

Nessa trama sobre poder, culpa, consciência e perdão, a política aparece com a gravidade inerente à responsabilidade de governar. As discussões sobre indulto e eutanásia conduzem o espectador a questões éticas complexas: o que significa absolver? Quem pode conceder perdão? Há decisões capazes de aliviar a culpa ou de reparar aquilo que foi perdido? Essas perguntas atravessam não apenas a esfera pública, mas também a vida íntima do personagem, permeada por melancolia e pela difícil elaboração da traição amorosa. 

Os interiores palacianos, monumentais e austeros contrastam com a pequenez do corpo do presidente em cena — metáfora visual do peso simbólico da história, do Estado e da solidão implicada nas decisões políticas. Mariano De Santis hesita, sofre e delibera sob o peso da própria consciência moral, talvez justamente porque reconheça que nenhuma decisão de poder consegue apagar a dimensão trágica e absurda da condição humana.”