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A única saída

Ciclo de Cinema e Psicanálise

Data

05.05

Horário

19h

Ingresso

Gratuito (retirada com uma hora de antecedência na bilheteria física do MIS) 

Local

Auditório MIS (168 lugares)

Classificação

16 anos

Ciclo de Cinema e Psicanálise, programa mensal do MIS, é realizado em parceria com a Folha de São Paulo e a Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo (SBPSP) e apresenta sempre um filme seguido de bate-papo, com mediação de Luciana Saddi, coordenadora do Programa de Cinema e Psicanálise da Diretoria de Cultura da SBPSP. O debate é gravado e disponibilizado, posteriormente, no canal oficial do MIS no YouTube. 

A edição de maio exibe o longa coreano “A única saída”, em parceria com a Mares Filmes. O longa foi indicado em três categorias na última edição do Globo de Ouro: Melhor Filme de Comédia ou Musical, Melhor Filme Internacional e Melhor Ator em Filme de Comédia ou Musical para Lee Byung-hun que, apesar de ter perdido para Timothée Chalamet, ficou marcado como o primeiro ator coreano indicado à categoria.  

Após a sessão, será realizado um bate-papo com a presença de Adriana Rotelli Resende Rapeli, psiquiatra e psicanalista, e da repórter da Folha de S.Paulo Alessandra Monterastelli. 

Sobre o filme 

A única saída 

(No Other Choice 어쩔수가없다 , dir. Park Chan-Wook, 2025, 139 min, Coreia do Sul, 16 anos) 

Man-su (Lee Byung-hun), especialista em fabricação de papel com 25 anos de experiência, leva uma vida plena. Ao lado da esposa Miri (Son Ye-jin), dos dois filhos e de seus cães, vive dias felizes, até ser surpreendido pela notícia de que foi demitido. O choque é devastador, mas, ainda assim, Man-su promete a si mesmo que encontrará um novo emprego em três meses pelo bem da família. Porém, a realidade se revela bem mais complicada. Apesar da determinação, ele passa mais de um ano pulando de entrevista em entrevista e se sustentando com um trabalho no comércio. Em pouco tempo, começa a correr o risco de perder a casa pela qual tanto lutou. No desespero, ele aparece de surpresa na Moon Paper para entregar seu currículo, mas acaba humilhado pelo gerente de linha. Convencido de que é mais qualificado do que qualquer candidato para trabalhar na empresa, Man-su toma uma decisão drástica: “Se não existe uma vaga para mim, vou ter que criá-la”.  

O filme é uma adaptação do livro “O corte”, de Donald E. Westlake. 

Sobre os convidados 

Adriana Rotelli Resende Rapeli é psiquiatra e psicanalista, membro da SBPRJ e da SBPSP. É membro do grupo de discussão de filmes da IPA desde sua criação, em 2018. A ligação com o cinema é antiga: organizava a Sessão Arte do Diretório Acadêmico da Faculdade de Medicina do Triângulo Mineiro nos anos 1980. Por quinze anos, dirigiu uma sessão de filmes no CAPS AD com dependentes químicos em Itapira, onde mora. 

Alessandra Monterastelli é repórter de cultura na Ilustrada, caderno de cultura da Folha de S.Paulo, onde escreve sobre cinema e artes plásticas. Formada em jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), com passagem pela Universidade de Bolonha, na Itália, tem pós-graduação em cinema pela Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP). 

“A única saída” por Luciana Saddi

Em “A única saída”, de Park Chan-wook, acompanhamos a queda abrupta de um homem que acreditava ter tudo. Man-Su, funcionário exemplar por 25 anos, vê sua vida desmoronar ao ser descartado por um mercado de trabalho que opera sob a lógica da substituição permanente — por novos quadros, mais baratos e de rápida reposição. 

A queda não é apenas dele, atinge também a família. Perde-se a posição social e a estabilidade que sustentavam a vida cotidiana. O que se impõe não é apenas a restrição financeira, mas a experiência silenciosa do rebaixamento e da humilhação. Diante disso, advém uma moral própria, menos guiada por princípios do que pela necessidade de preservar o que resta — de dignidade ou de valor material, tornados equivalentes. 

O filme encena, com humor mordaz, aquilo que Sigmund Freud nomeou como o mal-estar na civilização: a violência não desaparece, apenas se transforma. Aqui, reaparece sob a ética do capital — uma máquina que descarta e repõe continuamente, convertendo pessoas em mercadoria. 

Diante do colapso, Man-Su não encontra saída senão reproduzir essa lógica, de maneira literal: faz com os outros o que foi feito com ele. Se, como lembrava Thomas Hobbes, o homem é o lobo do homem, o filme mostra como essa condição se tornou regra na competição capitalista. Entre sátira e tragédia, “A única saída” revela que, quando tudo se reduz à sobrevivência física ou psíquica, eliminar o outro deixa de ser exceção — e passa a ser método.